As uvas e os vinhos no Brasil
Dados históricos revelam que a introdução da uva no Brasil foi feita pelos colonizadores portugueses em 1532, na então capitania de São Vicente, hoje Estado de São Paulo. A partir desse ponto e através de introduções posteriores, a viticultura expandiu-se para outras regiões do país, sempre com cultivares de Vitis vinífera, que são as uvas de origem Européia, procedentes de Portugal e Espanha até o século XIX. A cultura das uvas sempre esteve ligada ao vinho, sendo esse para a ceia dos colonos e da igreja.
Houve uma época, durante os séculos XVII e XVIII que a elaboração de vinhos foi proibida no Brasil, para que Portugal pudesse propositalmente escoar seus vinhos para cá. Contudo, foi no século XIX que a elaboração de vinhos foi alavancada com a chegada de imigrantes italianos ao nosso país, primeiramente no estado de São Paulo, depois foi para o Rio Grande do Sul, mais no final do século XIX.
Nas primeiras décadas do século XIX, com a importação das variedades de uvas procedentes da América do Norte, foram introduzidas doenças causadas por fungos que levaram a viticultura no período colonial à decadência. Existem espécies nativas tanto na Ásia e Europa quanto na América do Norte, ou seja, nessas regiões as uvas são encontradas em estado silvestre em bosques e matas. A espécie nativa do Novo Mundo, a Vitis labrusca, conhecida em nosso país como “uva rústica”, devido a ter cultivo mais fácil e ser mais resistente do que as européias devido ao clima de origem nos Estados Unidos ser úmido, diferentemente das de origem européia e asiática, que eram sensíveis as doenças e pragas que as americanas resistiam; é como acontece com seres humanos quando encontram uma tribo indígena, por exemplo, que nunca ouviu falar de uma simples gripe e jamais qualquer membro da tribo teve sequer uma, então, quando tiver essa gripe certamente não iria agüentar, o mesmo acontecia quando uma doença de uvas americanas pegava na européia, essa não resistia. A uva Americana da variedade aqui denominada ‘Isabel’ passou então a ser plantada nas diversas regiões do país, tornando-se a base para o desenvolvimento da viticultura comercial nos Estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Seus vinhos eram característicos dela, diferentes dos feitos com uvas européias, por isso, o brasileiro passou a gostar de vinhos dessa uva até hoje, pois esses têm gosto e cheiro de uvas, que é condenado na Europa, talvez por puro “Marketing”.
A partir do século XX, o panorama da viticultura paulista mudou significativamente com a substituição da ‘Isabel’ por ‘Niágara Branca’ e ‘Seibel II’. No Estado do Rio Grande do Sul, foi incentivado o cultivo de castas viníferas (européias) através de estímulos governamentais. Nesse período a atividade vitivinícola expandiu-se para outras regiões do Sul e Sudeste do País, sempre em zonas com período hibernal (inverno) definido e com predomínio de variedades americanas e híbridas. Entretanto, na década de 70, com a chegada de algumas empresas multinacionais na região da Serra Gaúcha e da fronteira Oeste (município de Santana do Livramento), verificou-se um incremento significativo da área de parreirais com cultivares de Vitis vinífera, devido ao incremento de tecnologia.
A viticultura tropical brasileira foi efetivamente desenvolvida a partir da década de 1960, com o plantio de vinhedos comerciais de uva de mesa na região do Vale do São Francisco, no Nordeste semi-árido brasileiro. Nos anos 70 surgiu o pólo vitícola do Norte do Paraná e na década de 1980 desenvolveram-se as regiões do Noroeste do Estado de São Paulo e Pirapora no Norte de Minas Gerais, todas voltadas à produção de uvas finas para o consumo in natura. Iniciativas mais recentes, como as verificadas nas regiões Centro-Oeste (Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás) e Nordeste (Bahia e Ceará), permitem que se projete um aumento significativo na atividade vitivinícola nos próximos anos.
Hoje, o Brasil ainda não é tradicionalmente um grande produtor de uva e vinho. O consumo anual por pessoa não passa de meros 2 Litros por ano, ficando quase que restrito aos períodos de festas de fim de ano. A produção aqui se concentra no Rio Grande do Sul, onde o consumo anula chega a 8 Litros por pessoa, alcançando 30 Litros por pessoa na Serra Gaúcha. Não é por acaso que nessas regiões a expectativa de vida é a maior do país também.
Atualmente a produção de uva e vinho vem se expandindo para as regiões Nordeste (Vale do São Francisco, Petrolina-PE), Centro Oeste (Mato Grosso) e Sudeste (estado de São Paulo). Em São Paulo, está se buscando novos tipos de cultivo de uvas para a elaboração de vinhos de maior qualidade, característicos da região.