O cultivo de uvas em São Paulo

O Estado de São Paulo, pioneiro no cultivo da videira no país, foi também o primeiro a elaborar e comercializar vinhos. Contudo, o grande impulso da vinicultura paulista se deu com a imigração italiana no séc. XIX e início do século XX, até por volta de 1960, quando o vinho do Rio Grande do Sul começava a chegar e tomar lugar nos mercados paulista e nacional. Também devido ao “aparecimento” da variedade Rosada de Niágara em 1933 por uma mutação em um ramo de ‘Niágara Branca’, o que poucos sabem, uva branca e uva rosada são, portanto a mesma uva.

Da década de 1930 a 1960, o estado de São Paulo passou de produtor para importador e engarrafador de vinho do sul do país. A transformação da viticultura paulista, tradicionalmente produtora de vinhos de mesa (ou garrafão) em produtora de uvas para consumo ‘in natura’ foi muito rápida. Em menos de 10 anos, o Estado se tornou o maior centro de produção de uvas para mesa do Brasil, permanecendo assim até os dias atuais.

Os motivos da transferência da vinicultura para o Rio Grande do Sul não se deu somente pelo surgimento da “uva rosada”, foi também devido à facilidade de produção e a produtividade de uvas como a Isabel, a Bordô e outras americanas e híbridas no Rio Grande do Sul e também pelo investimento em tecnologia e pesquisa para o desenvolvimento da viti e vinicultura no sul do país. Com isso, ficou mais fácil e barato para as vinícolas paulistas trazer o vinho pronto á granel do Sul para ser engarrafado tanto em São Roque como em Jundiaí. Também houve uma migração parcial de vinícolas de São Roque para o sul.

Essa situação hoje vem se modificando, havendo uma retomada da atividade vitivinícola, devido a vários fatores como a sazonalidade da produção ( produção em períodos determinados, a safra) em regiões tradicionais do Estado paulista, o aumento na renda da população e do consumo de vinhos, pela proximidade com a Grande São Paulo que é o maior centro consumidor de vinhos do país e por ser uma alternativa de renda a mais para as famílias de produtores. Pode se dizer que está havendo um retorno da produção de vinhos no Estado, se destacando as regiões de Jundiaí, Monte Alegre do Sul, São Miguel Arcanjo, São Roque e o restante do Circuito das Frutas e das Águas.

A produção de vinhos em pequena escala de forma ainda artesanal possibilita a eliminação da sazonalidade de produção e escoamento de safras, ou seja, pode-se vender o produto no decorrer do ano, não ficando restrito a um período curto de comercialização das frutas, além de agregação de valor no produto e a manutenção da cultura dos descendentes dos imigrantes. Não só os pequenos produtores, mas também grandes empresas do setor e iniciativas de Institutos e grupos ligados à instituições públicas e privadas vêm incentivando e motivando a retomada da Vitivinicultura Paulista. A Universidade de Campinas (UNICAMP), a FAPESP, o SPVinho e também o IAC (Instituto Agronômico de Campinas) são exemplos de instituições que acreditam que São Paulo pode produzir vinhos de qualidade, apostando na capacitação de produtores e técnicos e divulgação de programas para a melhoria do setor. Iniciativas de associações de agricultores e produtores de vinho, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e o governo estadual, prefeituras e sindicatos também são exemplos que acreditam na vitivinicultura paulista.

A evolução na qualidade dos vinhos e espumantes produzidos no país tem como prova as premiações recentes e reconhecimento sobre os produtos nos mais variados concursos realizados nos principais países vitivinícolas do mundo. O crescimento qualitativo ocorre mesmo com as dificuldades que o governo brasileiro insiste em manter e impor ao setor (carga tributária elevada e a não caracterização do vinho como alimento) vem ainda impedir que o vinho nacional seja consumido freqüentemente pelos brasileiros.

A taxa de impostos que nosso governo impõe sobre o vinho é absurda, a maior do mundo, chegando a 70% em Minas Gerais e 55% no restante do Brasil, tornando quase inviável a produção e para agravar a situação, está entrando em nosso país via Paraguai uma grande quantidade de vinho chileno e argentino, tornando ainda mais difícil a situação dos produtores daqui. Deve-se frisar que não são todos os vinhos chilenos e argentinos que são contrabandeados, a maioria é de muito boa qualidade, tanto que são considerados por muitos os melhores do mundo, porém, a desconfiaça vem quando se vê um vinho argentino na prateleira por R$ 5,90, com uma taxa de importação de 120%. Por quanto saiu um vinho desses de seu país contando o transporte, a embalagem e tudo mais, seria enviado como um brinde para os brasileiros?

Como todos sabem contrabando e qualidade andam em lados opostos, por isso, muito dos vinhos chilenos e argentinos “do Paraguai”, que são encontrados hojecom preços desconfiáveis (super-baratos) em nossos supermercados podem não ter boa procedência, ou seja, estamos certamente comprando gato por lebre. Mas brasileiro também não é santo, se produz grande quantidade de vinhos batizados aqui no Brasil, por exemplo, com todos esses impostos, seria possível produzir um garrafão de 4,6 Litros de vinho com preço final nas prateleiras à R$ 15,00? Será que não estamos bebendo água com álcool e corantes? Se tivermos dor de cabeça depois já teremos uma resposta.